13 de julho de 2005

f
... o pouco que sobrou
e f for falso


*

impossível ser falso
vivendo de beleza:
"tua grandiosidade é falsa
e dela apenas não importa
a falsidade
"


*

moças fingem estar dormindo
para que se possa apreciá-las melhor



*

tratar-se com frieza
permite fazer-se doce
no trato com os outros



*

o que existe é
a mentira contada apenas
pelo prazer do efeito de se poder desmenti-la


--

4 comentários:

rafael. disse...

eu ainda não sei como você consegue equilibrar três trabalhos e ver filmes como vê. ok, atualmente eu tenho uma australiana indoors, mas minha capacidade é um tanto limitada, senão chula. efe é de fake.

v. disse...

1) você assistiu F for Fake?
2) não gostou da minha licença pouco-poética?
3) o comentário tem uma parte a ver com o texto que eu não entendi?

rafael. disse...

a) não.
b) e c) em algum momento da minha vida eu pareço ter perdido totalmente a capacidade e lidar com poesias. vez ou outra alguém me diz que leu uma poesia minha e eu sinto a necessidade de corrigir a pessoa, pois não escrevo mais em versos. sério, eu gosto do jeito que você escreve mas perdi o tato para falar isso ou aquilo desse tipo de texto, então me abstenho. juro que falarei assim que o formato não me parecer tão estranho.

ps. não, isso não é sobre SUA poesia.

Allegro disse...

estranhas verdades soam estranhos sons. complicado isso de avaliar. fácil isso de sentir sem palavras. perigoso isso de sentir com elas. entre nós, humanos, acho que resiste um certo medo de outros. dedos afiados como faca. A poesia e bunita, e sim, elas fingem dormir. Mas gostam mesmo é de ser olhadas. Belo. Muito Belo. F é de fingimento. Não seria isso a poesia?