em dias tão meses
de olhos e ouvidos tampados
simplesmente pelos dias
tão meses
a memória do efeito
basta para continuar movendo
e a novidade de hoje será talvez
um dia
a descoberta de algo velho
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em dias tão meses
de olhos e ouvidos tampados
simplesmente pelos dias
tão meses
a memória do efeito
basta para continuar movendo
e a novidade de hoje será talvez
um dia
a descoberta de algo velho
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desafoga a cabeça, menina
pra dar tempo de sonhar nessa noite
chora no ombro
da arara e mancha
o vestido azul de verão
porque essa tua água
traz um tanto de letras e palavras
- sempre tão estrangeiras
por mais que você as estude -
porque elas se tornam sempre
mais estrangeiras depois de
passar por dentro de você
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medo é a impotência
de transformar
o furta cor do sabão em bolha
circunferência
na linha transparente do vidro
plano
recusa de escolher forma
a preferência pela textura
pele ou cabelo
desespero do silêncio
mudado
em silêncio
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o tom do arrepio muda
conforme a direção do toque
mas se essa água se confunde
com a de banho a de língua a de
exercício das temperaturas
é só treinar, é só treinar
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vamos,
botar todos os pés e corpos
em todas as estradas
até longe e até perto
olhar e dormir e acordar olhando
conversar em todos os sotaques
– como se fossem outras línguas: todas nossas -
vejamos por baixo de nossas peles inquietas
confirmando que somos como sempre nos vimos
- e sempre diferentes disso -
através dos olhos e cheiros de nós
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não bastaria dar uma sugestão arrogante para encerrar a conversa
na mesa, todos tão latentes esperando sua vez de falar
- essas intensidades não convencem.
- não, melhor fazer doer. os enfeites são para os estranhamente tristes, os que sentem sem descanso, os que não querem fechar os olhos antes de dormir, racionalmente intuitivos
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