17 de agosto de 2014



ali frágil
um pássaro ferido
não
um pássaro se desfazendo
as delicadas juntas se separando
peça a peça
osso a osso
pássaro que se desmonta


construir talvez uma casca de ovo
no entorno
para proteção
mas nenhum humano pode
construir cascas de ovo
tudo que um humano pode
com cascas de ovo
é quebrá-las







23 de janeiro de 2014

Lançamento Asa de Lagarta



Chegou a hora! 

O evento será realizado dia 08/02 a partir das 19h no Bar Canto Madalena - Rua Medeiros de Albuquerque, 471 - São Paulo - SP

A entrada para o evento é gratuita e o livro estará à venda por R$ 25,00 (Atenção: pagamento apenas em dinheiro ou cheque).

No mesmo dia serão realizados os lançamentos dos livros:

Segredaria, de Cel Bentin; 70 poemas, de Ana Peluso e Fotogramas, de Luiz Brener. Na compra dos outros títulos, nossos leitores receberão descontos:

1 título - R$ 25.00

2 títulos - R$ 45.00

3 títulos - R$ 60.00

4 títulos - R$ 70.00


O livros já estão à venda em nosso catálogo. As compras pelo site podem ser parceladas em até 12x. Aproveite! Amigos e leitores de outras cidades que realizarem a compra antes do lançamento receberão o livro autografado após o evento. Aproveite!

Saiba mais sobre o livro e a autora de Asa de lagarta em: http://www.editorapatua.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=223

22 de novembro de 2013

asa de lagarta


Por mais estranho e inesperado que isso pareça e seja, Asa de lagarta será lançado em breve e já está disponível para pré-venda, no catálogo da linda Editora Patuá. Todos que realizarem a compra antes do lançamento receberão o livro autografado após o evento. Aproveite!

A ilustração de capa e o projeto gráfico são de Leonardo MAthias e a edição de Eduardo Lacerda.

O título integra a Coleção Patuscada - Prêmio Proac - Programa de Ação Cultural - 2012 - saiba mais em: http://www.editorapatua.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=154



De tudo, a melhor coisa, como sempre, foi o envolvimento de pessoas queridas. Obrigada Rodrigo e Nadia pela paciência; Flávia, Vinicius e Julian, pelas ilustrações e paciência; Flávio, pelo posfácio e paciência e Angelica, pela orelha. Agradeço também a família que amo, todos os amigos queridos próximos ou distantes que fazem a vida valer a pena.


Muitos poemas do livro são fruto desse velho blog, meio sempre abandonado. Alguns estão já ali na página da Patuá. O Eduardo Lacerda, editor, colocou estes:



estrada


expressão
igual a um vento
rápido de janela
batendo na cara

esticar a mão pra fora enquanto o mundo corre pelos lados
(já é proibido)

o ar enche a mão de ar
abrir ou fechar as mãos
escolher entre reter ou não
a impressão

***

meu nome é asa de borboleta
que se prendeu
a uma fissura da tua lembrança

e entre o teu olhar e a minha vontade
nunca houve impedimento
a não ser o meu olhar e a tua vontade

(tudo o que faz vezes de óleo
que repreende a água
e que sobre a pele
facilita o trabalho da luz

mas sobre esta pele não foi impresso filme algum)
***

você
que é amarelo (a cor mais difícil) de gostar
(que) fala demais e de menos
ao mesmo tempo
quando (me) surge
vem de debaixo da língua
ou da unha
(e não - comumente - de um lado)
ou de outro da rua

***

um tapete de insetos
chorava por matá-los
com a sola dos pés

doía como na infância
(não pôde evitar)
palhaços pintavam uma borboleta no rosto
e a substância do que era feita não saiu mais

***

já pode esquecer o fiel da balança
nós de decisões (des)importantes
os senhores donos da justiça torta

e dançar a tão livre dança
rir o riso que cria mundo
saber e ensinar o fluido das coisas:

o sentido são as pessoas

22 de agosto de 2013




curso imersão
amor traduzido
novas expressões
ocupam o novo 

dia a dia
de então

choro nas rezas
coro nas trocas
tenho quase um
passamento
de tanto rir
abraço palavras
de goma e café

- só deixo de lado o buriti




1 de maio de 2012

já que perdi os óculos de enxergar o que escrever, posto aqui a minha Flávia:



14h33m acabo de abrir os olhos num sábado, ao redor: livros, CDs, roupas sujas e limpas, tênis. Na cabeceira: ingressos de cinema do dia anterior e algumas moedas. Um conto para ser escrito em primeira pessoa; deixar a TV me ninar; te esquecer – anotados num bloco. E parece que o cansaço não acaba depois das horas de sono, fim de semana só começando: descansar ctrl + f.

Cabelo médio, nem curto nem liso, fios brancos, vinte poucos anos. Bom papo. Sintonia. Tênis, calça jeans, bar, cerveja – dia um. Cinema, café e cama – semanas. Inverno. E tudo findo: quarto, café e cinema. Cerveja, cerveja, cerveja.

E é neste momento que sinto este imenso vazio em bypass: nem saio de mim nem fico em mim, não vou a você, a ninguém. E por um tempo achei que isso de estar só era triste, tão triste que eu devia compartilhar em porres e lágrimas no bar, ficar cru ao ponto em que amigos oferecem o ombro e bem passado quando se afastam. Descer ao fundo de se segurar na rotina, essa era a parte triste da história – crtl z.

E o menino que queria chegar às orelhas de um deus e dizer três coisinhas quais queres de criança que acha graça em piada escatológica cresce ligeiramente entre a sinfonia serrote dos operários, dos carros e das vozes de estranhos em transportes públicos gastos. Qualquer coisa fone de ouvido no talo, fastfood e sexo pago; qualquer coisa boca do lixo baixo augusta destilado – qualquer coisa.

E você que me ensinou tudo isso que eu não sei dizer, tudo isso que é um calo colérico caetano de se ter com coração, essa coisa transcendental meia boca, essa coisa substantivo, essa coisa ai, essa coisa tão banal: S2.

Escrever um conto em primeira pessoa que não diga absolutamente verdade alguma, coração algum. Escrever um conto nesta cidade em primeira pessoa sobre a solidão liquida pós- moderna. Escrever um conto em primeira pessoa em que a primeira pessoa seja invenção. Escrever um conto em primeira pessoa, piegas baseado em amar.

- Qual é o tamanho da tua dor?



publicado originalmente em http://popcultdebolso.blogspot.com.br/

22 de abril de 2012


Não dá mais para escrever
do que se escreve
precisa prestar contas
serão notas, recibos e extratos
por cada palavra na superfície
do que quer que seja

e a horas de dias úteis
quanto não valeriam pro mundo
se usadas produtivamente
a mão de obra está
pela hora da morte
e estamos pobrinhos
de moeda palavra

17 de junho de 2011

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manoel me entorta as vistas


abaixo a cabeça

xingo e agradeço


segura meu pescoço virado pro chão parede

firme como um carinho de mãe


faça o que eu digo não faça o que eu faço

me diz dizendo o que fazer

caracol não é caraminhola

nem hospital é escola


mas uma invasão de adolescência me bate

o universo mora aqui e me amarra as mãos


e só poderão assinar quando

enterrar mãe manoel debaixo do meu colchão

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5 de dezembro de 2010





(se somos)
a polícia que
equivocadamente
concorda com manifestantes e
intercala sorrisos às cacetadas

os assassinos dos assassinos
os guias que têm medo do caminho
ou o grande eufemista


razoável é elogio


e não há limpeza a ser feita
não haverá chão limpo abaixo do sujo

e haverá sempre apenas o chão abaixo de cada pele de chão
e haverá aquilo de que tudo é feito


e haverá olhar que se escolhe dar











te amo mudamente, havíamos dito
e saltamos

estamos sentados no meio fio
os ônibus passam perto demais
(às vezes em cima)
dos nossos pés
alguns machucam, dissemos

não em vão já que agora
estamos naquela esquina falando
da noite de ontem
(que foi igual a de ontem e anteontem e antes)
mas rendeu, digamos.

podemos inventar
quem sabe dizendo estaremos
na cama no teto no prato
na escolha e no gosto
estivéssemos





25 de abril de 2010

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e pareceu que para ser borboleta mesmo
não se podia ser borboleta o tempo todo

mudou pra flor
florinha amarela
caída do jardim de adélia

apenas por algumas estações

não parecia possível para estar viva
estar enganchada em terra
e tomar chuvas e maus tratos de passantes

mas se é a terra quem alimenta
a fase amarela da vida
é aceitar nela
o colchão, cobertor e céu

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