29 de julho de 2009

em dias tão meses

de olhos e ouvidos tampados

simplesmente pelos dias

tão meses


a memória do efeito

basta para continuar movendo

e a novidade de hoje será talvez

um dia

a descoberta de algo velho


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10 de junho de 2009

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no caminho reto e a passo frouxo
apesar de cobras e motores
não se volta em olhar, ouvidos
e esforços de compreensão
enquanto no mundo de figurantes
o vento não sopra o ponto

da próxima fala ao improviso
a querência é muita
mas a convicção é fraca

cozinha ruminado com a notícia
e põe na bacia pra dormir
pra ver se nasce pureza

mas para além das buzinas
há o grito, o roer de madeiras
e todas as noites
a prece baixa de hoje
pergunta pelos chiados
tantas escuridões à espreita:
os ratos estão por dentro.


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29 de abril de 2009

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desafoga a cabeça, menina

pra dar tempo de sonhar nessa noite


chora no ombro

da arara e mancha

o vestido azul de verão


porque essa tua água

traz um tanto de letras e palavras

- sempre tão estrangeiras

por mais que você as estude -

porque elas se tornam sempre

mais estrangeiras depois de

passar por dentro de você


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21 de março de 2009

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medo é a impotência


de transformar

o furta cor do sabão em bolha

circunferência

na linha transparente do vidro

plano


recusa de escolher forma

a preferência pela textura

pele ou cabelo


desespero do silêncio

mudado

em silêncio


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26 de fevereiro de 2009

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o tom do arrepio muda

conforme a direção do toque


mas se essa água se confunde

com a de banho a de língua a de

exercício das temperaturas

é só treinar, é só treinar

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4 de fevereiro de 2009

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essa mansidão calculada

não vai funcionar por muito mais tempo

se eu fosse você
abria logo a janela de emergência desse ônibus

pra gritar mais alto
quando tudo começar

então poderemos até dividir
a trilha sonora que escolhi pro meu dia:
quer um lado do fone?

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28 de dezembro de 2008

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vamos,

botar todos os pés e corpos

em todas as estradas

até longe e até perto

olhar e dormir e acordar olhando

conversar em todos os sotaques

– como se fossem outras línguas: todas nossas -

vejamos por baixo de nossas peles inquietas

confirmando que somos como sempre nos vimos

- e sempre diferentes disso -

através dos olhos e cheiros de nós

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23 de dezembro de 2008

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não bastaria dar uma sugestão arrogante para encerrar a conversa

na mesa, todos tão latentes esperando sua vez de falar


- essas intensidades não convencem.

- não, melhor fazer doer. os enfeites são para os estranhamente tristes, os que sentem sem descanso, os que não querem fechar os olhos antes de dormir, racionalmente intuitivos

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10 de dezembro de 2008

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por onde começamos a começar
tudo

sempre silêncios e depois
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19 de novembro de 2008

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não.

esperar sentado que minha não doação se transforme
pare, volte
mas o mundo tem muitas horas
(a palavra criava o fato
e não é de hoje)
o mundo reage
enquanto olho, espero
e decido agir impulsivamente

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