18 de agosto de 2006

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tudo que o acaso reúne

se o objeto olha para o espelho
é – a primeira vez – acaso
e refletindo some
e não olha uma segunda vez
então quem é olhado de novo
já não é espelho


então temos cores parecidas no encontro


e o que conhecemos é sempre
a resistência
do que conhecemos

a nós
o toque é resistência oferecida como “doação”
dar-se através da resistência é como você se dá
não se me dando
e quem dá-se não mais tem quem o receba

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5 comentários:

dada tida disse...

É....nossa.... :)

ez disse...

temos que marcar um encontro computadorial

dos meus, sei não querida

(dos seus, quero ler, sem ansiedade

como quem se deixa passar pelas coisas
e ver como elas ressoam)

beijos

Allegro disse...

Tecnicamente não pode ser doação, porque é da essência desta a liberalidade. Resistência implica em ato oneroso, tipicamente. Então, a subsunção ao contrato tipificado fica comprometida. Mas, em reverso, poder-se-ia entender claramente que existe uma implicíta (quando não tácita) licença poética, ou como diria Pontes de Miranda, "há, em verdade, a reafirmação de um contrato de mandato típico estabelecido por base legislativa onde encontramos, tacitamente, ex lege, uma deformação do sensível, adaptada ao real cunho da liberalidade subjetiva do sujeito discursivo".

Rs...

Ri muito pensando nisso.
saudades de ti, e de nossas conversas tacitamente sem nexo.

Beijos pequena palhacinha, até o próximo.

F.

luisa soler disse...

dar-se é inevitável.

gosto de quebrar espelhos.

luisa soler disse...

stephen fretwell é um cantor inglês.. -- eu adoro.
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quanto aos espelhos...

não acredito em azar.